Rodrigo Sena
Nova presidente da Funcarte fala de seus planos e analisa atual situação da entidade em entrevista exclusiva ao VIVER
Camila, neta do professor e pesquisador Luís da Câmara Cascudo, já exercia o cargo de vice-presidente durante a gestão de Roberto Lima, e neste novo momento será assessorada por Edson Soares, outro nome que também já fazia parte do quadro de servidores como responsável pelo Departamento de Artes Integradas. A definição coloca um ponto final nas especulações que rondaram a substituição de Roberto Lima, cujo pedido de exoneração do cargo se arrastava desde o início de abril - Lima enfrenta problemas no nervo ciático e seu afastamento tem muito a ver com a necessidade de se dedicar ao tratamento médico.
Graduada em Direito, doutoranda em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Del Museu Social Argentino e vice-presidente do Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo, Camila Cascudo irá se reunir com a prefeita Micarla de Sousa ainda esta semana para definir algumas questões relativas à Capitania. Confira a entrevista exclusiva concedida pela gestora à reportagem do VIVER, logo após a confirmação de sua nomeação para a presidência da Funcarte:
Marcos Sá de Paula
Camila Cascudo, presidente da Funcarte: No mesmo pedido de suplementação referente ao Carnaval, será solicitado recursos para a rubrica de premiação do pagamento dos concursos literários e do Salão.
Camila, como você já atuava na Capitania, sabe exatamente quais as necessidades, o potencial e as pendências. Agora que assumiu a presidência, por onde pretende começar? Quais as grandes urgências?Bem, primeiramente terei uma conversa com a prefeita Micarla de Sousa para saber o que ela espera da nova gestão. É fundamental manter esse canal aberto para sensibilizarmos quanto à nossa realidade. A Funcarte tem um corpo de servidores espalhado em teatros, museu, memorial, escolas e outros equipamentos, e é preciso narrar de forma realista como cada um está, seu público e suas necessidades.
Ainda dá tempo de planejar ações para 2012 ou sua gestão estará focada no cumprimento do que já está em andamento e previsto para acontecer?
Nosso tempo é bem relativo em função da legislação eleitoral, que nos impede a celebração de convênios dentro de certas conotações a partir de 30 de junho. A gestão não pretende descontinuar um calendário já existente, nem ações que sejam proativas, mas efetivá-las com o máximo de responsabilidade possível para que não existam pendências futuras e insatisfações no meio.
Alguns cargos estão vagos desde fevereiro, quando muitos servidores foram exonerados pela Prefeitura, como é o caso da direção da Escola de Teatro Nereu Ramos, na zona Norte, do Teatro Sandoval Wanderley, entre outros setores da própria Fundação. Alguma previsão para recontratação desse pessoal? Os exonerados serão renomeados ou serão convidadas outras pessoas para assumir a função?
Todas as pessoas que assumem cargos de confiança sabem que, quando ocorrem mudanças de secretariado, ajustes são feitos. Mesmo que essa mudança seja natural, como a elevação de um vice-presidente à presidência. Tenho reunião na Prefeitura nesta quarta-feira (amanhã) para discutir esses nomes. Acredito que muitos permaneçam, pois são pessoas de grande competência e capacidade técnica, também são meus amigos; mas não posso descartar mudanças em razão de outras circunstâncias.
Dentro desse contexto (da renomeação), quando as atividades da Escola Municipal de Teatro serão retomadas, uma vez que o período letivo ainda não iniciou?
Partindo do princípio de que sejam nomeados em ato contínuo às nomeações de presidente e vice, entendo que, se tudo correr na normalidade que esperamos, estaremos retomando as aulas ainda nesta primeira quinzena de maio.
Alguma novidade sobre o projeto de reestruturação do Teatro Municipal Sandoval Wanderley? Qual a atual situação da proposta aprovada pelo MinC, que sinalizou investimentos da ordem de quase R$ 1 milhão? Há possibilidade do TMSW ser reaberto ainda este ano?
O projeto do Teatrinho do Povo Sandoval Warderley foi acompanhado por uma comissão coordenada pelo professor Roberto Lima. A fase de projetos estruturais foi cumprida e a parte de diligências será atendida ainda essa semana. Não posso me precipitar quanto ao estabelecimento de prazos, pois não participei da comissão em nenhuma fase de seu exercício.
E está nos planos a reforma e/ou reparos na sede da Funcarte, para evitar problemas como as infiltrações que ocasionaram a mudança de local do 14º Salão de Artes Visuais?
Temos um orçamento singelo para reforma da Funcarte, mas nossa prioridade, obviamente, é a galeria Newton Navarro. Esse espaço funciona como uma vitrine para novos e consagrados artistas. É nosso instrumento de relacionamento com eles. Esse item em particular, fará parte da minha primeira demanda com a prefeita Micarla de Sousa.
A proposta de colocar para funcionar os equipamentos de audiovisual, guardados em um depósito da Fundação há mais de dois anos, continuam em pauta? Quando será lançado edital para utilização desses equipamentos (câmeras, ilhas de edição, iluminação e captação de áudio) por realizadores audiovisuais de Natal?
Sim, está em pauta. Aliás, esse é um pedido pessoal do vice-presidente Edson Soares. Vamos observar os prazos para lançamento de editais tão logo sejam pagom os prêmios do Salão de Artes Visuais em curso.
Sobre pendências financeiras, temos o pagamento dos Prêmios Literários Othoniel Menezes (poesia) e Câmara Cascudo (prosa), débitos do Carnaval, do 14º Salão de Artes Visuais e do elenco dispensado do Auto do Natal de 2011. Há prazos para pagamento? Algum procedimento burocrático ainda depende da Capitania ou os processos já foram encaminhados para execução na Secretaria de Planejamento?
Acompanhei o Carnaval e nossos débitos nesse sentido não são tantos, pois dividimos a execução do evento com outras secretarias (Turismo, por exemplo). O maior deles se refere as premiações e está dependendo de suplementação, o que também será conversado durante esta reunião na Prefeitura. Os demais processos estão em finalizações burocráticas. No mesmo pedido de suplementação referente ao Carnaval, será solicitado recursos para a rubrica de premiação do pagamento dos concursos literários e do Salão. Todos os processos estão abertos esperando suplementação, o que será tratado com a prefeita.
A exemplo do Carnaval, a Capitania vai adotar o sistema de editais para apoiar iniciativas do período junino como quadrilhas e 'arraiás'? Quando será lançado o edital?
Vou participar da primeira reunião sobre o São João também nesta quarta-feira à tarde, no Gabinete Civil. A minha intenção é que a Funcarte trabalhe com editais de chamamento para os 'arraiás' e quadrilhas. Devendo esse modelo estabelecer critérios que se baseiam em recomendações do Ministério Público. Pretendo trabalhar nos editais a partir da próxima semana.
Este ano teremos a realização do espetáculo Auto do Natal? Há planejamento nesse sentido?
Sim. A intenção hoje é que ele ocorra. Na primeira reunião com a equipe, já vou designar o grupo que trabalhará no projeto e na captação, já que as leis federais continuam vigentes independente do ano eleitoral.
Falando em Lei de Incentivo, e a questão sobre a renúncia fiscal do Programa Djalma Maranhão deste ano. Haverá renúncia? Quando será anunciada? Os questionamentos da Procuradoria Regional Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral, que vetaram qualquer tipo de benefício fiscal por ser ano eleitoral, serão contornados?
Entendemos que a pretensão do percentual que foi alterado diz respeito à maior liberdade do proponente (redução no índice de captação para início da utilização dos recursos). São várias as queixas quanto ao engessamento da Lei e essa proposta de mudança passou pelos produtores culturais, segundo eu soube. Todavia, entendo também a cautela do Ministério Público Eleitoral já que medidas como essa podem ser interpretadas como manobra eleitoral. A renúncia ainda não saiu. Então é o momento de tentar esclarecer qual foi a interpretação que o MP teve a respeito. As leis de incentivo não param por causa do período eleitoral, nem a Djalma Maranhão, nem a Câmara Cascudo (Estadual), tampouco a Rouanet (Federal), são instrumentos consolidados de captação que passam por meandros rigorosos em toda sua execução. A modificação parcial sob ponto de vista global, talvez, tenha sido a causa dos questionamentos, especialmente quanto à vedação de aumento do incentivo, onde a lei é bem clara.
Fonte: tribuna do norte
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