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Maranhão: processo autorizativo |
Negando qualquer tentativa de postergar a votação do projeto, Ney Júnior disse que a demora para a conclusão do processo é para dar a consistência que o texto não tem, para recheá-lo de participação popular e para fazer uma lei que corresponda às necessidades do usuário do transporte coletivo. Segundo Ney Júnior, o projeto só trata de questões técnicas, não constam aspectos importantes na rotina de todo cidadão-usuário do sistema, como o transporte noturno, a acessibilidade para portadores de necessidades especiais, o valor das tarifas, instalação de câmeras no interior dos veículos para oferecer mais segurança ao usuário, o acúmulo de função do motorista-cobrador e os problemas que isso acarreta, a responsabilização pelos abrigos de passageiros e a cobertura de transporte coletivo em todos os bairros de Natal, dentre outros temas que estão sendo discutidos nas audiências públicas e deverão provocar emendas ao projeto.
"Natal é uma das poucas capitais em que não existe transporte noturno, como se a população não trabalhasse à noite e como se os jovens não fossem a festas. Por isso, vamos aguardar emendas tanto da sociedade quanto dos vereadores que estão vindo através das audiências coletivas", disse Ney Lopes Júnior. Para ele, a sociedade poderá mudar a qualidade do transporte público de Natal com o processo licitatório, mas para isso "terá que debater sobre os moldes da concessão e construir regras para um sistema de transporte coletivo cada vez melhor".
O presidente da comissão contesta a intenção de setores da prefeitura de que inovações do transporte coletivo devem ser estabelecidas no edital de licitação. "Isso é errado e autoritário, a sociedade e os sindicatos não terão como questionar o conteúdo do edital que será feito pela Semob que deverá constar de normas meramente técnicas que dizem respeito à operacionalização do transporte coletivo. Já a qualidade e as regras básicas devem estar no projeto para que, ao participar da concorrência para ser permissionário do transporte coletivo, o empresário saiba que existem obrigações previstas em lei".
Equívoco
O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Márcio Sá, refuta as declarações do presidente da Comissão de Constituição e Justiça. Para ele, o vereador está cometendo um equívoco ao pensar que o processo já está na fase de modelagem, ou de discussão com a sociedade. Essa fase vai acontecer quando a Câmara aprovar a lei autorizativa para deflagrar o processo de licitação. "O projeto que enviamos à Câmara é meramente autorizativo, é apenas um comunicado pedindo uma autorização. A fase de discussão é a última etapa do projeto, quando formos elaborar o edital de licitação", explica Márcio Sá. As regras serão definidas pelo edital que será elaborado pelo Semob e por uma empresa técnica contratada (Oficina Consultoria), devido à complexidade da licitação. É assim que funciona em qualquer lugar do Brasil.
De acordo com Márcio Sá, quando o processo chegar na fase de modelagem, a Semob vai fazer audiências públicas com a população para discutir assuntos do interesse de quem usa o transporte coletivo. Por enquanto, o que está na Câmara Municipal para ser votado não é o aumento de linhas, nem o cálculo doíndice de passageiro por quilômetro rodado, destino e viagem. "O que está lá pra ser votado é a autorização e cremos que a Câmara Municipal vai fazer a sua parte para adotarmos o sistema de um transporte mais eficiente", disse o secretário.
Mudanças
O diretor de comunicação do Sindicato da Empresas de Transportes Urbanos do RN (Seturn), Augusto Maranhão, endossa as palavras do secretário da Semob, Márcio Sá. Dizendo ser totalmente favorável ao processo licitatório porque visa uma situação jurídica onde todas as partes terão direitos e deveres, o diretor diz que o processo precisa de uma lei autorizativa da Câmara Municipal, e que o projeto não precisa esmiuçar de detalhes operacionais e técnicos. "Mas o projeto precisa ter princípios da administração pública para o ente jurídico de concessionários", explica ele.
Através do processo licitatório haverá uma mudança nas relações, onde o empresário deixará de ser permissionário para ser concessionário - uma relação jurídica mais robusta. Além disso, a licitação prevê mudanças no sistema de transporte com vistas a beneficiar a população. "Esperamos um novo quadro de linhas com diferentes itinerários em razão da procura e aumento da demanda".
Fonte: Dário de Natal
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