quinta-feira, 10 de maio de 2012

Desigualdade nas Casas de Cultura

Yuno Silva - repórter

Criadas para abrigar e fomentar atividades culturais no Rio Grande do Norte de forma descentralizada, as trinta Casas de Cultura espalhadas pelo Estado constituem um bom termômetro para mensurar a situação em que se encontra o segmento artístico potiguar. A reportagem da TN visitou, nesta terça-feira (8),  quatro delas e constatou que a palavra "desigualdade" é a que melhor define a situação. Apesar da amostragem ser concentrada na região Agreste, em Santa Cruz, São José do Campestre e Nova Cruz, e no litoral Sul, onde visitou Goianinha, o resultado traça um panorama do atual quadro em que as Casas se encontram. 

Sabe-se que algumas delas, localizadas principalmente na região Oeste, estão com estrutura comprometidas e algumas com portas fechadas, caso da Casa de Cultura de Macau; mas o fato é que as que estão funcionando refletem, em primeiro lugar, o grau de envolvimento da comunidade com o equipamento. Cada Casa conta com espaços básicos: auditório (para 100 pessoas em média), sala de administração, ateliê para oficinas de artes, sala de leitura e minibiblioteca.

Como o Governo Estadual banca, basicamente, as despesas com água e luz, os outros dois fatores que fazem a diferença são a capacidade de articulação dos agentes de cultura que coordenam os espaços e o comprometimento da Prefeitura local. Se fosse necessário atribuir uma sequência de classificação, chegaríamos a seguinte lista: São José do Campestre mostrou a maior movimentação e, apesar da Prefeitura não dar o apoio necessário, a deficiência é contornada pelo envolvimento das pessoas e pela dedicação da equipe que dirige o lugar desde que foi inaugurado em 2008.

Em seguida aparece Goianinha, destacada pela estrutura física disponível e pela presença da Prefeitura, que também utiliza a Casa para abrigar a Secretaria Municipal de Cultura. Em Santa Cruz, a diversidade da programação é pequena, mas mantém o lugar funcionando; já em Nova Cruz, os dois ambientes limitam as atividades, a estrutura apresenta sinais de

abandono e não há programação fixa definida. As realidades e o perfil são bem diferentes, confira alguns pontos levantados:


Júnior SantosSão José do Campestre, 100 km da capitalSão José do Campestre, 100 km da capital
SÃO JOSÉ DO CAMPESTRE - 100 km da capital

- Inaugurada em 2008

- Investimento: 95 mil

- Coordenação: Alexandre Domingos (desde 2008).

- Funciona de segunda a domingo, das 8h às 22h, em antigo galpão para armazenamento e venda de algodão.

- Estrutura: pinacoteca, minimuseu, cantina e lojinha. Possui computador, mas sem conexão com a internet.

- Programação fixa: ensaios de grupos folclóricos (Boi de Reis Sete Estrelas), dança (de rua e popular), teatro popular e banda de rock; aulas de alfabetização; oficinas de música (flauta doce). 

- Atividades extras: exposições, palestras, cursos e oficinas esporádicas. Local de treinamento de agentes de saúde.

- Ponto de Cultura: recursos da primeira parcela (R$ 60 mil) foram utilizados para aquisição de instrumentos, equipamentos de som, ventiladores e data show.

- Situação: inaugurada há quase quatro anos, a Casa está bem conservada. Boa parte da manutenção é feita pelos próprios administradores. Serviços de zelador e limpeza são realizados por voluntários. Apesar de ser o único espaço cultural da cidade, a Prefeitura não oferece contrapartida. O lugar foi assaltado recentemente, quando levaram botijão de gás, liquidificador e aparelho DVD.

Júnior SantosGoianinha, 55km da capitalGoianinha, 55km da capital
GOIANINHA - 55 km da capital


- Inaugurada em 2008

- Investimento: 180 mil

- Coordenação: Ana Maria Barbalho Teixeira (secretária municipal de Cultura), Dione Maria Almeida da Silva e Alene Grasiele

- Funciona de segunda a sexta, das 7h às 17h, em imóvel que pertencia ao município. No local também funciona a Secretaria de Cultura.

- Estrutura: sala de reunião, duas salas para administração, auditório e ateliê. A minibiblioteca foi desativada e o acervo transferido para a biblioteca municipal. Boa parte das atividades são realizadas de forma descentralizada, em diversos espaços culturais vinculados à Secretaria/Casa. Possui três computadores e acesso à internet.

- Programação fixa: aulas de música, artes plásticas, capoeira, dança, exibições semanais de filmes. Exposição permanente de fotografias.

- Atividades extras: exposições, lançamentos de livros e realização de palestras, cursos e oficinas. Assistência na elaboração de projetos. 

- Ponto de Cultura: a primeira parcela dos recursos foram utilizados na aquisição de computador, impressora e equipamentos audiovisual.

- Situação: das quatro Casas visitadas é a mais bem equipada. O auditório tem ar-condicionado. Governo do RN só banca a energia elétrica, e das três lojinhas de artesanato, apenas duas estão funcionando.

Júnior SantosNova Cruz, 90km da capitalNova Cruz, 90km da capital
NOVA CRUZ - 90 km da capital


- Inaugurada em 2003

- Investimento: 90 mil

- Coordenação: Aldo Soares e Joelson Galdino (desde 2011).

- Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e das 14h às 17h, na antiga estação de trem da cidade. 

- Estrutura: apenas os espaços padrão (administração, auditório e ateliê). Um dos corredores funciona como minimemorial (acervo diminuto). O computador não funciona há mais de um ano.

- Programação fixa: não há nada agendado.

- Atividades extras: o ateliê está sendo ocupado com oficina de arte Naïf e o auditório sede espaço para alunos que participam do Programa Mais Educação do MEC (aulas de dança e canto coral).

- Ponto de Cultura: apesar de funcionar no primeiro andar do edifício e realizar eventos em parceria, desenvolve atividades paralelas.

- Situação: dentre as quatro Casas de Cultura visitadas pelo VIVER é que apresenta estrutura mais comprometida. O imóvel não passou por nenhuma reforma em quase dez anos de funcionamento. O auditório não possui palco e as mesas e cadeiras do ateliê não são adequadas às atividades artísticas. A Prefeitura local oferece serviços de limpeza e zelador.

Júnior SantosSanta Cruz, 110km da capitalSanta Cruz, 110km da capital
SANTA CRUZ - 110 km da capital


- Inaugurada em 2004

- Investimento: 280 mil

- Coordenação: Débora Requiel e Carla Andréa (desde 2011).

- Funciona de segunda a sexta (8h às 12h e 14h às 17h), em imóvel construído em 1923, sede da antiga delegacia e cadeia pública

- Estrutura: sala para aulas de dança (com espelho e barras) e espaço para montagem de sala multimídia. Também abriga sede dos Escoteiros. Não tem computador na administração. 

- Programação fixa: balé para crianças; dança para adultos; e aulas de capoeira.

- Atividades extras: local de ensaio para o grupo Impacto Circence;  realização de palestras, cursos e oficinas esporádicas.

- Ponto de Cultura: recursos já estão disponíveis, mas equipe ainda trabalha no projeto para utilizar a verba. A meta é comprar equipamento audiovisual (câmeras, ilha de edição, data show).

- Situação: o imóvel não passou por nenhuma reforma ou melhoria desde a inauguração. Pintura gasta e necessidade de reparos básicos na alvenaria. O auditório está temporariamente desativado, pois serve como oficina para montagem de cenário e figurino do Auto de Santa Rita. Serviços de limpeza, zelador e segurança não são fornecidos pela Prefeitura local como contrapartida.





Fonte: tribuna do norte

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