sexta-feira, 4 de maio de 2012

SME não diz quando paga contratos de março e abril

A Secretaria Municipal de Educação (SME) começou a quitar as dívidas que mantém junto a empresas terceirizadas, que a ela prestam serviço. O débito pôde ser abatido em virtude do bloqueio de R$ 6.806.687,24 na conta bancária da Prefeitura de Natal, determinado pela Justiça. O valor foi transferido para a conta corrente 9.409-9, de titularidade da SME. Os valores são parte da dívida da prefeitura em relação aos chamados decêndios da Educação, repassados abaixo do percentual determinado por lei no exercício de 2011. Com a transferência, o secretário Walter Fonseca declarou ontem à reportagem da TRIBUNA DO NORTE que a quantia havia sido suficiente para liquidar o débito das terceirizadas até o mês de fevereiro, assim como complementar a folha de pagamento do mês de abril. 
Adriano AbreuNos Centro Educacionais, apesar das constantes reclamações de atrasos, contratados trabalhamNos Centro Educacionais, apesar das constantes reclamações de atrasos, contratados trabalham

A decisão de bloqueio da conta foi tomada pela juiz Ibanez Monteiro, em cumprimento a determinação do desembargador Expedito Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. No dia 20 de abril passado, Expedito Ferreira confirmou a decisão de segunda instância da Corte de que o bloqueio das verbas deveria ser feito. Ontem, o titular da pasta da educação informou que o valor foi registrado na conta quarta-feira passada, devido a trâmites burocráticos. "Ontem [quarta-feira] mesmo já realizamos o pagamento às terceirizadas", informou Walter Fonseca.

As dívidas da secretaria com tais empresas afetaram diretamente a prestação do serviço prestado à população. Em face do atraso, algumas terceirizadas também não cumpriram o pagamento de salários, vales-alimentação e vales-transporte. Os funcionários, sob forma de protesto, não compareceram ao trabalho e forçaram a interrupção do funcionamento de Centros Municipais de Educação (CMEIs) espalhados pela cidade. 

De acordo com Walter Fonseca, o problema já começou a ser resolvido com o pagamento aos funcionários. O secretário não esclareceu, no entanto, como e quando serão quitadas as dívidas já adquiridas durante o mês de março e abril desse ano. Ele não soube informar a monta acumulada nesse período, que ainda não encontrou pagamento por parte da Prefeitura.

Em 2011, o Executivo Municipal fechou o exercício do ano contabilizando uma dívida com a SME da ordem R$ 63,7 milhões. Além disso, no exercício financeiro desse ano, a prefeitura já deixou de transferir à conta da SME R$ 24,7 milhões. Em 2012, do total de R$ 36,2 milhões devidos à Educação, de 01 de janeiro a 31 de março, a prefeitura repassou pouco mais de R$ 11,4 milhões. Os dados foram extraídos do Relatório de Controle dos Decêndios da Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla), emitido dia 09 de abril, e ao qual a reportagem da TRIBUNA DO NORTE teve acesso e publicou em reportagem no dia 19 de abril passado.

Desde fevereiro, a Prefeitura de Natal contesta o débito na Justiça Estadual, assegurando não ter dívida com a Educação. No caso de Natal, o decêndio, verba destinada à manutenção e desenvolvimento da educação. 

Professores municipais mantêm greve

Cerca de 3,5 mil professores municipais permanecerão em greve até que a Justiça se pronuncie sobre o pedido de ilegalidade da paralisação realizada nas escolas de Natal. A decisão de não finalizar o movimento de reivindicação foi tomado ontem em assembleia da categoria. Na quarta-feira passada, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (Sinte/RN) e o Município de Natal não chegaram a um acordo durante a terceira audiência de conciliação. O processo agora passa por vistas do Ministério Público para que, depois, seja tomada uma decisão sobre o caso.  De acordo com o Sinte, a previsão é que haja um posicionamento da Justiça durante a próxima semana.

O impasse permanece. Para os servidores, "a Prefeitura é irresponsável e tem tratado o caso com desdém". Para a Prefeitura, os servidores voltaram atrás do que já estava acordado de reajuste e outros sete pontos de pauta e agora não há como conceder nem o que havia sido proposto anteriormente. Em meio às discussões, os alunos da rede pública permanecem fora de sala de aula. O Sindicato promete montar uma campanha para reconstruir a educação na cidade.

A presidenta do Sinte/RN, Fátima Cardoso, declarou que a "Prefeitura está insistindo em argumentos que são falhos e mostra a falta de responsabilidade da administração municipal". Em contato com a reportagem durante a manhã de ontem, o secretário Walter Fonseca, disse que o Sinte "levou muito tempo para decidir sobre a proposta da Prefeitura". "E quando o fez, voltou atrás, pegando todos de surpresa. Hoje, não há mais condições de oferecer o que foi oferecido antes, por uma série de questões como Lei de Responsabilidade Fiscal e a aproximação com o período das eleições", alegou.

Para Fonseca, a solução passa por dois caminhos. "É improvável que haja uma diminuição de gasto com pessoal, o que abriria o espaço necessário na LRF. O outro caminho é o aumento da receita geral, através do aumento de arrecadação. Isso só quem pode analisar são os responsáveis pelo planejamento da Prefeitura", disse.

CMEIS

A TRIBUNA DO NORTE percorreu quatro CMEIs da capital durante a manhã de ontem. Em todos encontrou funcionários que reclamavam do atraso no pagamento dos salários, ou benefícios como o vale-transporte. Em nenhum, no entanto, a dívida da Prefeitura com as terceirizadas foi suficiente para interromper a prestação do serviço. No CMEI Nossa Senhora de Lourdes, localizado no bairro de Mãe Luiza, as atividades ocorriam normalmente. A diretora Ana Maria Guimarães informou que lá estavam matriculadas 132 crianças, atendidas por 44 funcionários - dos quais 35, terceirizados.  "Alguns funcionários realmente registraram o atraso no pagamento e nos vales-transporte também. Eles decidiram manter as atividades, já que a maioria mora no próprio bairro", disse a diretora. No Paço da Pátria, zona Leste de Natal, houve o mesmo registro. No CMEI Maria Eulália, funcionários também informaram sobre os atrasos das terceirizadas. "Aqui são oito porteiros, quatro ASGs e quatro auxiliares de cozinha. Alguns já começaram a receber o atrasado", disse a diretora Maria dos Prazeres. No CMEI Bom Samaritano, localizado no bairro das Quintas, os funcionários também não paralisaram as atividades em virtude das dívidas da Prefeitura. 



Fonte: tribuna do norte

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