segunda-feira, 28 de maio de 2012

Ausência de drenagem atinge 84 por cento dos domicílios

Sem pavimentação e infraestrutura de drenagem, a rua onde mora dona Eliete Angelo da Silva, no bairro Nova Cidade, Zona Oeste de Natal, fica completamente alagada em dias de chuva. "Aqui somos esquecidos", resumiu a moradora. A situação é a mesma de 40 anos, quando chegou no local. O cenário retrata bem o perfil levantado pelo Censo Demográfico 2010, do IBGE, e que dimensionou  as características urbanísticas do entorno dos domicílios. Em Natal, por exemplo, a falta de bueiros  para drenagem de águas das chuvas atinge 84,3% dos domicílios. 

Moradora reclama da ausência de infraestrutura e confirma dificuldades apontadas na pesquisaAlberto LeandroMoradora reclama da ausência de infraestrutura e confirma dificuldades apontadas na pesquisa

Segundo o IBGE, 13,7% dos domicílios estão em ruas não pavimentadas, como a rua Horácio Dantas, onde mora dona de casa Eliete e as vizinhas Damiana Bezerra da Silva, 51 anos, e Maria José da Silva, 41 anos. "Na prefeitura consta que tudo isso aqui é drenado e pavimentado, mas não tem um pedaço feito", denuncia dona Eliete. No inverno - e nem precisa ser assim tão rigoroso - as ruas ficam alagadas, gerando transtornos. A rua transversal, a César Cabral também não tem pavimentação e fica na mesma condição quando chove.

"Fica uma lagoa, não dá pra passar e as casas enchem tudo de água", relatou Damiana. Os moradores aumentaram o nível das calçadas para evitar que as casas sejam invadidas pelas águas. "A gente tem muita vontade de ver a rua calçada, com bueiros e esgotamento, para acabar com as fossas, mas os prefeitos só fazem prometer", reclamou Eliete.

 Em Felipe Camarão, a rua Pai Celestial tem calçamento, mas um trecho, próximo a rua Maria Gorete está esburacado. No local, a rede de esgoto extravasa. Os buracos e o lamaçal tornam lento o tráfego de veículos. "Tem uns três anos que está assim. Às vezes, isso aqui fica uma fedentina, com a água podre que borbulha", disse Maria Felipe da Costa, 69 anos.

Segundo dados do IBGE, em Natal,  29,3% dos domicílios não são beneficiados com rede esgotamento sanitário. Cruzando a cidade, na rua Couto Magalhaes, no loteamento Jardim Progresso, na zona norte, o esgoto de uma das vilas jorra à céu aberto na rua. "É um perigo, porque só traz doença", denuncia o aposentado José Neves de Almeida, 78 anos. 

O loteamento fica no bairro Nossa Senhora da Apresentação, onde as obras de drenagem e a rede de esgotamento começaram a ser feita, mas não foram concluída. No loteamento Jardim Progresso, um trecho de 150 metros ficou sem pavimentação. Segundo o aposentado o material (pedras para meio fio e calçamento) estava no local até o ano passado, mas foi recolhido.

"Eles disseram que iam parar o serviço por falta de dinheiro", contou seu Neves. Uma das bocas de lobo está com a tampa  quebrada há meses. Tem uns meses a boca de lobo cedeu e um carro caiu no buraco. Os moradores jogaram metralha e pedras para sinalizar o perigo. Muitas manilhas ainda estão no local e a rede está por ser concluída.


Fonte: Tribuna do Norte

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