segunda-feira, 30 de abril de 2012

Servidores em greve protestam contra cortes em salários na Grande Natal

Representantes da educação e saúde do município de São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, em greve desde o dia 19, denunciaram nesta segunda-feira (30), descontos por parte do Município, na folha salarial dos servidores no mês de abril, com cortes que ultrapassam até 50% no contracheque, de acordo com os dias ausentes de trabalho. A informação foi confirmada por Socorro Alves, diretora do Sindicato dos Profissionais em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN), que aponta a medida tomada pela administração da cidade como de retaliação ao movimento, antes mesmo, da paralisação ser julgada.

A indignação da classe também foi compartilhada por uma das diretoras do Sindsaúde, Maria de Fátima, que ao lado de Socorro Alves, explicou que o corte no salário dos servidores foi descoberto neste sábado (28), e teria afetado trabalhadores em férias, com atestado médico, e até os que não aderiram à greve (28). “Consideramos uma atitude arbitrária de um prefeito que desde 2010, não abre espaço para o diálogo diante das reivindicações que temos em pauta. A Prefeitura simplesmente julgou a greve como ilegal antes da decisão judicial, que acontece nesta quarta-feira (2)”, disse. As duas categorias reivindicam, entre outros pontos, um reajuste salarial de 63,68% para todo o funcionalismo municipal, referente às perdas acumuladas desde 2008 e o respeito ao tempo de carreira dos trabalhadores do município, previsto nos Planos de Cargos e Salários. 

Segundo Socorro Alves(Sinte), a medida do Município tem o objetivo de desestabilizar os servidores e pressionar ao retorno imediato das atividades. “Não podemos aceitar a situação como está, tanto na Educação como na Saúde. Para se ter uma ideia, o plano de cargos e salários para os professores, por exemplo, tem uma remuneração praticamente idêntica, mesmo com a diferença entre os cargos, onde os profissionais do ensino superior ganham apenas R$ 1,87 a mais que os educadores do ensino médio”, destacando que a categoria aguarda a implantação do Piso Nacional do Professor, que é de um aumento de 22% para quem cumpre 40 horas de trabalho semanais. 

Atualmente, os professores do nível médio tiveram os 22% de aumento, passando a ganhar R$ 1.087,00. Já os de nível superior o aumento foi de apenas 11%, passando a receber R$ 1.089,00. Como o município tem apenas 90 professores somente com magistério, essa minoria hoje ganha apenas R$ 1,87 a menos do que os 800 que têm nível superior. 

No caso da saúde, os servidores alegam que as tabelas salariais estão defasadas desde a década de 1990. De acordo com Maria de Fátima (Sindsaúde), o caso também vai além com a situação salarial, onde o descaso é sentido até mesmo nas condições de trabalhos dos servidores. “Não temos papel higiênico e detergente para as atividades básicas de limpeza, por isso, até quem trabalha Como Auxiliar de Serviços Gerais tem a sua função prejudicada”, desabafou.

As representantes do Sinte e Sindsaúde ainda reclamaram que o Município por ser o quarto maior do Estado, não reconhece o trabalho dos servidores e não transparecem onde os recursos federais são implantados. “Eles alegam que não estão em condições de reajustes diante de lei de responsabilidade fiscal, mas continuam, por exemplo, com diversos cargos comissionados e todos os olhos para a construção do Aeroporto Internacional”, disse Socorro Alves.

Os grevistas programaram para esta quarta-feira (2), uma manifestação a partir das 9, em frente a Prefeitura, sem prazo para término.  

SINDSAÚDE

A reportagem do Diário de Natal entrou em contato com o secretário de saúde de São Gonçalo do Amarante, Jalmir Simões, que rebateu as denúncias dos representantes quanto ao desconto na folha. “Realmente os descontos foram realizados de acordo com as informações repassadas pelo gerente, no entanto, o corte no ponto foi direcionado apenas aos faltosos. Cada dia de falta teve p desconto no contracheque”, disse.

Jalmir Simões ainda disse que o Município reconhece a necessidade de rever as situações, principalmente, nos planos de cargos e salários. “O prefeito (Jaime Calado) determinou que fosse realizado um estudo para saber se é possível atender as reivindicações. A documentação para análise financeira está em pauta, mas devido ao processo eleitoral, uma resposta uma imediata é improvável”, explicou, acrescentando que a reunião do prefeito com o Procurador do Município foi explicada aos representantes, na última sexta-feira (27 de abril), durante um encontro.

A reportagem do Diário de Natal também entrou em contato com o secretário de educação, Abel Neto, mas não conseguiu contato através do telefone.



Fonte: DN Online

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