quarta-feira, 18 de abril de 2012

Cidade da Criança pode ter obra paralisada novamente


Quando se fala em abertura de  canteiros de obras, pensa-se logo no boom da construção civil,  muitas vezes, bancado de forma direta ou indireta por financiamentos públicos. Em alguns casos, porém, significa atraso, obras inacabadas, que atualmente proliferam em diversos locais do Estado. 
Um exemplo é a reforma da "Cidade da Criança", uma obra encravada na bacia da Lagoa de Manoel Felipe, no Tirol,  cujo período de atraso equivale ao tempo de um mandato de chefia do Poder Executivo: quatro anos. Já foram pagos à construtora M&K Comércio e Construções Ltda, cerca de R$ 3,97 milhões, mais da metade dos recursos previstos para a conclusão do projeto elaborado pela Fundação José Augusto, de R$ 7,2 milhões.

O secretário estadual adjunto de Obras, o engenheiro civil Thiago Índio do Brasil, informou que não tem procuração e nem podia falar em nome da empreiteira M&K Comércio e Construções Ltda, mas confirmou que a empresa "não atendeu às solicitações e notificações" da Secretaria Estadual de Infraestrutura (SIN) quanto à continuidade das obras, cuja validade do contrato de execução firmado no governo passado termina agora, em maio.

Por essa razão, Thiago Índio do Brasil confirmou que a SIN deverá realizar uma nova licitação para conclusão da obra, seguindo a determinação da governadora Rosalba Ciarlini de que aquele espaço de lazer e cultura deverá ser entregue à população em dezembro deste ano. Há um ano, em visita ao local, a governadora chegou a anunciar que o parque seria entregue em outubro de 2011, aproveitando a data de comemoração pelo Dia da Criança. 

"Os serviços encontravam-se lentos e não atendia à necessidade de entrega da obra ao fim do segundo semestre deste ano", continuou Índio do Brasil, para explicar que o setor de fiscalização da SIN vai realizar a última medição da obra, de um total de  sete previstas, para ver o que foi executado até o momento, a fim de efetuar o pagamento que resta à construtora M&K.

Índio do Brasil informou, ainda, que desde o início, em 2009 e até o momento, já foram pagos à construtora cerca de R$ 3,97 milhões, mais da metade doq ue estava previsto para toda a obra. Algumas adequações tiveram que ser feitas no projeto original, que não previa a questão de acessibilidade para portadores de deficiências e para pessoas idosas, bem como faltava projeto específico de iluminação para eventos realizados à noite. Ainda faltam ser concluídas a pista de cooper, rampas de acessibilidade, iluminação, anfiteatro e o paisagismo, que deve ser a última providência.

A dragagem da Lagoa Manoel Felipe, já está praticamente concluída, disse um funcionário da M&K, que pediu para não ser identificado: "A profundidade da lagoa hoje é de quatro metros".

No local, na última segunda-feira, estavam um encarregado das obras, um mestre de obras e um vigia. Outros operários, que ainda continuam na obra paralisada, pescavam na lagoa, com oito mil metros quadrados e está encravada numa área de 25 mil quadrados.

Muitos prédios de parte da reforma, estão levantados, mas faltam acabamentos. Equipamentos como restaurante e escolas de artes, também precisam de retoques finais. A governadora Rosalba Ciarlini chegou a visitar a "Cidade da Criança" em agosto do  ano passado, quando disse que a obra seria reiniciada tão logo fosse realizado um estudo de readequação orçamentária da obra. Na ocasião, o governo informou que tinham sido pagos à empreiteira R$ 500 mil do total de R$ 7,2 milhões inicialmente orçados para execução do projeto, dos quais R$ 1,5 milhão faziam parte da dívida da FJA, já quitada, segundo Índio do Brasil. 

Interdição em 2008 foi devido à chuva forte

Em abril de 2008, já no segundo mandato da então governadora Wilma de Faria, a "Cidade da Criança" foi fechada ao público por causa de uma chuva de 280 milímetros  que comprometeu as obras já iniciadas no local e  toda a infraestrutura do que, nos anos 60 e 70, chamou-se Parque da Lagoa Manoel Felipe.

Na época, o governo anunciou que iria gastar R$ 135 mil na reforma e que, em três meses, a "Cidade da Criança" seria reaberta ao público infantil. Em novembro de 2009, a Fundação José Augusto (FJA) começou uma reforma que vem se arrastando ao longo dos anos.

Já em julho de 2010, o então presidente da FJA, Crispiniano Neto informou à TRIBUNA DO NORTE, que "em 20 anos foram feitas 18 gambiarras", optando-se por executar um projeto completo de reforma.

O imbróglio da "Cidade da Criança" iniciou-se em 2007, quando o Ministério Público Estadual (MPE) recomendou o fechamento do parque por não haver alambrado de proteção para as crianças no entorno da Lagoa.  

A empresa M&K Comércio e Construções Ltda venceu a licitação pública para a execução da reforma da "Cidade da Criança", depois de enfrentar um litígio judicial da parte de outra empreiteira. 

O projeto da FJA previa um custo de R$ 7,2 milhões, recursos garantidos pelo governo do Estado exclusivamente para as obras de infraestrutura, como a recuperação e construção de 30 prédios e outros equipamentos. 

Também havia uma convênio firmado com a Petrobras, no valor de R$ 2 milhões, para a compra de equipamentos e brinquedos. O Sesi se encarregaria de custear a programação de eventos, a um custo de R$ 600 mil a partir do momento em que a "Cidade da Criança" começasse a funcionar.

O projeto da FJA prevê a  ampliação da concha acústica - antes ao ar livre devendo ser coberta - de 200 para dois mil lugares, além do cineteatro, que passará de 73 para 230 cadeiras. 

A TRIBUNA DO NORTE tentou falar com a direção da construtora M&K Comércio e Construções Ltda, mas a pessoa contatada não atendeu o chamado pelo telefone celular.



Fonte: tribuna do norte

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