Imagens O Câmara
Em números reais: de 1998 a 2005 eram 30 homicídios por ano em Mossoró (média). Em 2006, subiu para 53. No ano seguinte já estava em 87. Em 2008 foi a 118 homicídios. O crescimento assustador estava nas estatísticas e a sociedade não reagiu. Deixou correr, digo: morrer.
Em 2009, reduziu para 103. Pura ilusão de quem pensou que iria reduzir graças aos novos PMs nas ruas. Não iria e não reduziu. Em 2010 foram 141 execuções. O Estado tratou a questão com desdém. Em 2011, o número de execuções em Mossoró foi a 191.
Um juiz e um delegado, preocupados, se mobilizaram. Prisões foram decretadas e pelo menos 14 suspeitos da região Norte de Mossoró foram presos. A matança nesta região caiu de 10 para no máximo 2. O estado não apreendeu a lição e continuou enganando as pessoas.
Nos primeiros 55 dias de 2012, vinte pessoas foram executadas. Neste sábado, uma garota de 17 foi executada com um tiro na cabeça por outra. Um pouco mais cedo, três suspeitos num carro taxi, com o dono como refém, meteu bala em 2 no bairro Barrocas.
O cenário em Mossoró, diante das execuções não elucidadas ao longo dos anos, é: qualquer um se acha no direito de fazer justiça com as próprias mãos. Muitos decidem matar por uma briga de trânsito, um namoro mal resolvido, uma bate bote boca... Motivos banais.
Este é o cenário que se forma na periferia de Natal, já é evidente em Assu, também em Umarizal, Frutuoso Gomes e outras cidades. Em Mossoró é pior. Observando que aconteciam 30 homicídios por ano e atualmente passa de 150, já temos uma epidemia.
Em Mossoró, num levantamento feito na 2ª DP, ficou evidenciado que em 73% dos homicídios a família e a polícia sabem quem é o autor ou autores, porém por falta de provas materiais (existe poucos que tem coragem de testemunhar), os assassinos ficam soltos.
Com o quadro de injustiça, surgem os justiceiros.
E como o Estado sabe que só pode reverter este quadro botando os presos para trabalhar, ampliando os quadros da Polícia Civil e dotando-a de suporte pericial, assim como educar melhor os jovens, podemos concluir que o Estado quer a sociedade em pânico letárgico.
Sinal do pânico: casas com muros de 3 metros, cerca elétrica, alarmes, câmeras, carro blindado, cães, medo constante para sair e chegar em casa. Sinal de letargia: mesmo sabendo do quadro de medo, gastando uma fortuna com segurança, não se mobilizam contra Estado.
Deus nos proteja.
Fonte: Retrato do Oeste
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