quarta-feira, 9 de maio de 2012

A melodia amazonense

A cantora e compositora Eliana Printes nasceu em Manaus, e faz parte de uma geração contemporânea de artistas que está oferecendo diversificados sotaques, sabores e cores ao que se convencionou chamar de MPB.    Ela vem a Natal pela primeira vez para mostrar um apanhado geral de sua carreira em apresentação nesta quarta-feira, às 20h, no Teatro Alberto Maranhão. Eliana destacará na ocasião as canções de seu último trabalho, "Cinema Guarany", lançado ano passado, o sétimo CD de carreira. A turnê do disco vem à capital potiguar após passar pelo Tom Jazz, em São Paulo, e Rival, no Rio de Janeiro. 
Fernando SchubachEliana Printes já teve seu primeiro trabalho indicado ao Prêmio Sharp de Música nos anos 90, fez parte de uma coletânea de bossa nova para o exterior, e cantou com orquestra na Alemanha em 2011.Eliana Printes já teve seu primeiro trabalho indicado ao Prêmio Sharp de Música nos anos 90, fez parte de uma coletânea de bossa nova para o exterior, e cantou com orquestra na Alemanha em 2011.

"Acho que a música brasileira vive um momento especial. Houve uma época em que só um eixo do País era ouvido, mas agora há música sendo feita e  divulgada de todos os lados, para todo mundo ouvir", diz Eliana, sobre a cena da qual ela faz parte na MPB atual. A cantora amazonense é uma jovem veterana, com 18 anos de carreira e sete discos lançados. Já em seu primeiro trabalho, lançado em 1994, foi indicada ao Prêmio Sharp de Música na categoria 'Revelação MPB'. Melhor incentivo para começar uma carreira, não há. Em 1998 ela se mudou para o Rio de Janeiro, e não parou mais. 

Eliana considera "Cinema Guarany" como o mais "amazonense e brasileiro" de seus trabalhos. "Ele é o disco mais intimista e quente que eu já fiz. Apenas piano, baixo e bateria, e letras de histórias minhas vivências em Manaus, de passeios noturnos e a vida que se tem por lá", explica. Das dez canções do álbum, seis são autorais, com apenas duas regravações: "Amazonas", de João Donato, e "Não fico mais sem teu carinho", de Roberto Correia e Sílvio Son.  Entre as inéditas que ela destaca, está "A cidade e o luar", feita em parceria com Adonay Pereira, inspirada nas ruas de Manaus à noite. 

A cantora vem a Natal com a mesma banda a qual gravou "Cinema Guarany": Julinho Teixeira (piano, teclado e escaleta); Francisco Falcon (baixo acústico e baixo elétrico); Adonay Pereira (violões) e Sérgio Nacife (bateria). O show fará um "passeio" por toda a obra de Eliana. "É um show de apresentação para o público natalense", ressalta. Haverá canções que tocaram no rádio, como "Os presentes", "Se chovesse você", "O trem da juventude" (de Herbert Viana); "Perdi a conta" e "Só vou gostar de quem gosta de mim" - esta, fez parte da trilha sonora do filme "Qualquer gato vira lata", com Cleo Pires. 

Eliana aprecia o atual estado das coisas na MPB. "Acompanho tudo de novo que aparece, as bandas, cantoras, ritmos, há uma riqueza e diversidade imensas", diz. A cantora também vê com satisfação o atual destaque que a região Norte vem obtendo no cenário nacional, como o hype de Gaby Amarantos e a valorização de artistas como Pinduca. "O Amazonas é um Estado muito rico de cultura, do Boi de Parentins até as cenas de rock e MPB, e os festivais de cinema. Há muito para absorver", afirma. 

Apesar de não se ater a um trabalho com regionalismos, Eliana se diz uma cantora de mente aberta para qualquer som. "Nada me impede de um dia levar elementos folclóricos do Norte para minha música. Tudo pode ser usado", diz. A cantora teve prova da falta de barreiras da música ao se apresentar na Europa, ano passado entre a Alemanha e a Áustria. "Um maestro ouviu uma canção minha através de um amigo brasileiro, gostou, fez um arranjo sinfônico para ela e me ligou pedindo autorização para usá-la. Resultado: fui convidada para cantar por lá, ao lado de uma orquestra de 60 músicos, para duas mil pessoas. Foi incrível. Uma prova de que a música voa, caminha pelas próprias pernas. E hoje, mais do que nunca", conclui. 

Serviço: Eliana Printes em Cinema Guarany. Hoje, às 20h, no Teatro Alberto Maranhão. Entrada: R$50. Antecipadas na Saraiva (Midway Mall). Tel.: 3222-3669. 




Fonte; tribuna do norte

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