Computadores e acesso à internet são escassos ou não existem nas escolas e centros de educação infantil (CMEIs), onde a Secretaria Municipal de Educação deveria implantar os telecentros do Metrópole Digital, programa da UFRN. A privação seria sanada caso a Prefeitura, por meio da Secretaria, disponibilizasse salas de aulas e profissionais para a instalação dos espaços, como previsto em convênio, firmado em maio de 2011. Em algumas das oito unidades de ensino escolhidas para sediar os telecentros, as salas chegaram a ser reservadas e aguardam pequenos reparos e intervenções para receber o maquinário. Em outras, devido o atraso na implantação, o espaço antes destinado a receber o projeto, está ocupado com turmas de educação infantil.
Adriano Abreu
Escola Noilde Ramalho com equipamentos de informática obsoletos
O convênio firmado entre a Prefeitura e a UFRN, como mostrado ontem pela TRIBUNA DO NORTE, corre o risco de ser inviabilizado na capital potiguar. Pelo documento, a UFRN entraria com a instalação da rede de internet e equipamentos, um investimento de R$ 474 mil, enquanto a Prefeitura deveria ceder as instalações físicas e um funcionário, por sala. A proposta dos telecentros é de atender estudantes do Metrópole, além de ofertar cursos gratuitos de capacitação profissional para a comunidade onde estar inserido e dar suporte a professores e alunos.
Na Escola Municipal Noilde Ramalho, na comunidade da África, na Redinha, a sala foi preparada com bancada de granito, forro e pontos de rede elétrica para instalação dos computadores. Fechada há cerca de um ano, o laboratório de informática abriga hoje apenas equipamentos usados e cedidos por outras repartições do Município, que precisam de manutenção para poder funcionar. Um funcionário chegou a ser capacitado para atuar como monitor no programa.
"O laboratório de informática está obsoleto há um ano. Não sabemos quando o maquinário do Metrópole Digital vai chegar", afirma a vice-diretora Adriana Assunção. A escola possui cerca de 300 estudantes, do 1º ao 5º do ensino fundamental (de 6 a 14 anos), que poderiam se beneficiar dos equipamentos e conexão como material de pesquisa e atividades de extensão. "Toda pesquisa é feita na biblioteca, com livros e revistas, porque não podemos ampliar e pedir pesquisas mais complexas. A comunidade é carente e é difícil o aluno ter acesso à internet", afirma a vice-diretora.
A professora do 5º ano do ensino fundamental, Neliane Kaline Nazario acrescenta que as escolas precisam de novas tecnologias para assegurar o melhor aprendizados dos alunos. Os professores, em geral, se valem de equipamentos e modens próprios para usar a internet. A escola não dispõe sequer de impressora.
Pelo convênio, os cursos de formação para estudantes do programa e para os moradores do bairro, acontecem três vezes por semana e, nos outros dias, a escola define o uso. No CMEI Severino Davi, na Ribeira, o aumento na procura por vagas na educação infantil ocupou a sala que deveria ser do Telecentro. "Atender as crianças e famílias do bairro é prioridade. A sala estava fechada, sem uso. E hoje temos turmas de manhã e à tarde", disse a diretora Rejane Dantas.
O funcionamento do telecentro na unidade, frisa Rejane Dantas, não traz benefícios para os professores e alunos do CMEI, "mas somente para a comunidade que terão cursos gratuitos".
No CMEI Graça Mota, em Igapó, a vice-diretora Edivãnia Soares admitiu desconhecer o projeto do telecentro Metrópole Digital. "Tivemos apenas duas visitas e o que nos foi repassado pela Secretaria era apenas a cessão de sala e funcionário para o projeto", disse. Contudo, ela lamentou a possibilidade de quebra do convênio. "Esta é uma comunidade muito carente e esta capacitação profissional só viria a ajudar, a mudar esta realidade", afirma.
Secretaria vai tentar manutenção do convênio
Procurado pelo segundo dia consecutivo, o secretário municipal de educação Walter Fonseca disse não ter as informações sobre a situação das oito unidades ensino que irão receber os telecentros, tampouco os motivos das informações solicitadas pela UFRN não terem sido responsáveis.
Adriano Abreu
No Cmei Severino Davi, espaço para telecentro é hoje sala de aula
O secretário afirma que irá restabelecer o contato com a direção do Metrópole Digital, na próxima semana, para impedir a suspensão do convênio. Em abril, a reitoria da UFRN notificou a secretaria e deu prazo para que, em 30 dias - vencidos no último dia 15 de maio - fossem repassadas as informações.
Segundo o Departamento de engenharia da SME, as adequações já foram finalizadas em três unidades e nas demais a previsão é o final de julho.
Os telecentros deverão ser implantados nos CMEIs Severino Davi, Ribeira; CMEI Graça Mota, em Igapó; Escola Municipal Noilde Ramalho, na Redinha; CMEI Arnaldo Arsênio, Leningrado; CMEI Dom Nivaldo Monte, nas Quintas; nos Tributos à Criança de Mãe Luiza; Felipe Camarão e Lagoa Nova.
Diferente dos telecentros criados pela Prefeitura, estes funcionariam como braços do projeto Metrópole Digital, que reúne hoje 1,2 mil alunos de ensino médio em cursos de formação de informática. Os telecentros buscam dar suporte as aulas dos alunos do projeto, oferecer cursos técnicos de capacitação profissional em informática e acesso gratuito à internet para a comunidade.
Os telecentros fazem parte ainda do projeto de cobertura de transmissão sem fio da Rede Metrópole Digital. A ideia é construir uma rede de antenas para transmissão em wifi que permitam a conexão não apenas nos equipamentos usados pelo programa, mas no entorno dos telecentros.
Fonte: Tribuna do Norte
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